Numa estrada esquecida, cercada por árvores mortas e retorcidas, havia uma casa antiga que todos chamavam de A Casa do Sussurro. O nome vinha de um detalhe assustador: quem passava perto, jurava ouvir vozes chamando seu nome, como se alguém estivesse escondido dentro das paredes.
Clara, uma jovem curiosa e apaixonada por mistérios, decidiu investigar o lugar com seus amigos. Era noite de lua minguante quando chegaram à casa. A madeira das portas estava podre, e as janelas quebradas deixavam entrar o vento gelado que parecia chorar pelos corredores.
Assim que entraram, o silêncio tomou conta. O ar era pesado, cheirava a mofo e ferro — como se sangue seco ainda estivesse impregnado ali.
— "Vocês ouviram isso?" — perguntou Rafael, nervoso.
Um sussurro suave percorreu o corredor:
— "Vão embora... ainda dá tempo..."
Assustados, mas determinados, continuaram explorando. A cada sala, os sussurros aumentavam, repetindo frases diferentes, às vezes chamando pelo nome de cada um deles. As paredes pareciam respirar, e a sensação de serem observados era esmagadora.
Na sala principal, encontraram um espelho enorme, manchado pelo tempo. Nele, o reflexo não mostrava apenas os quatro amigos, mas figuras atrás deles, sombreadas, imóveis, com olhos brancos.
— "Isso não tá certo..." — murmurou Clara, tentando afastar-se do espelho.
De repente, Rafael foi puxado para dentro do reflexo, como se o vidro fosse líquido. Seu grito ecoou pela casa, seguido de silêncio. No espelho, ele ainda aparecia... mas parado, com os olhos brancos como os das figuras.
Apavorados, os outros correram para a saída, mas todas as portas estavam trancadas. Os sussurros agora eram gritos ensurdecedores:
— "Fiquem... juntem-se a nós..."
Clara, desesperada, caiu de joelhos e cobriu os ouvidos. Quando levantou os olhos, seus amigos já não estavam mais lá. Apenas o espelho diante dela, refletindo sua imagem... e atrás dela, dezenas de figuras imóveis, aguardando sua chegada.
A última coisa que se ouviu naquela noite foi um grito abafado, seguido por um silêncio eterno.
E até hoje, quem passa pela estrada diz ouvir vozes chamando seu nome, vindas da casa.
O eco suave de Clara e seus amigos... sussurrando para sempre.

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