No sul do Piauí, nas águas da Lagoa de Parnaguá, existe uma das lendas mais curiosas do folclore brasileiro: a história do Barba Ruiva, um homem encantado que, segundo a tradição, aparece nas margens da lagoa e muda de aparência conforme o horário do dia.
Pela manhã, ele pode aparecer como um menino. Ao meio-dia, surge como um homem jovem de cabelos ou barba avermelhados. Ao anoitecer, transforma-se em um homem velho, com uma longa barba branca.
A tradição também afirma que ele costuma fugir dos homens e procurar as mulheres que vão lavar roupas ou tomar banho nas margens da lagoa. Em algumas versões, ele tenta abraçá-las e beijá-las, mas não é considerado uma criatura que tenha intenção de matar ou ferir suas vítimas.
O mais interessante, porém, é que a história do Barba Ruiva está diretamente ligada à própria origem lendária da Lagoa de Parnaguá.
Segundo a tradição, a lagoa não existia da maneira como é conhecida atualmente. No lugar havia uma pequena fonte ou um riacho cercado por vegetação. Foi depois de um acontecimento trágico envolvendo uma criança abandonada que as águas teriam crescido de forma sobrenatural, dando origem à lagoa encantada.
Onde fica a Lagoa de Parnaguá?
A Lagoa de Parnaguá está localizada no município de Parnaguá, no extremo sul do Piauí.
A lenda do Barba Ruiva está profundamente ligada a esse lugar. Fontes históricas e folclóricas registram a narrativa como uma das lendas tradicionais do Piauí. O próprio Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, identifica o Barba Ruiva — também chamado de Barba Branca — como um mito relacionado à gênese da lagoa de Paranaguá.
Essa ligação entre a criatura e a paisagem é uma característica muito comum das lendas brasileiras.
O lugar onde a história é contada não funciona apenas como cenário.
A própria paisagem faz parte da lenda.
A história completa do Barba Ruiva
Uma das versões mais conhecidas começa quando uma viúva que vivia com suas três filhas morava na região conhecida como Salinas, próxima ao povoado de Parnaguá.
A filha mais nova começou a apresentar uma tristeza profunda e ninguém conseguia descobrir o motivo.
Depois ficou sabendo-se que ela estava grávida.
O pai da criança era seu namorado, mas ele havia morrido antes que os dois pudessem se casar.
Naquela época, a gravidez fora do casamento era vista como motivo de vergonha, e a jovem teria ficado desesperada com a situação.
Quando chegou o momento do nascimento, ela foi para um lugar afastado.
Depois que a criança nasceu, tomou uma decisão terrível.
Colocou o bebê dentro de um tacho de cobre e o lançou na pequena fonte ou lagoa.
Foi então que, segundo a lenda, aconteceu o fenômeno sobrenatural que mudaria para sempre aquela paisagem.
A chegada da Mãe d’Água
Depois que o bebê foi colocado na água, surgiu a Mãe d’Água.
Em uma das versões mais conhecidas, ela teria trazido o tacho novamente para a superfície.
A Mãe d’Água ficou enfurecida com o abandono da criança e amaldiçoou a jovem.
Em seguida, mergulhou novamente nas águas.
Então aconteceu algo extraordinário.
As águas começaram a crescer.
Subiram cada vez mais.
A pequena fonte transformou-se em uma grande massa de água, inundando a região e cobrindo a vegetação e os caminhos.
A lenda afirma que a enchente continuou sem parar, até transformar aquele lugar na grande lagoa encantada de Parnaguá.
É por isso que o Barba Ruiva e a própria Lagoa de Parnaguá estão ligados na tradição popular.
O choro que vinha do fundo da lagoa
Depois da formação da lagoa, começaram a acontecer outros fenômenos.
Durante a noite, as pessoas ouviam um choro de criança vindo do fundo das águas.
A lagoa teria ficado cheia de luzes, vozes e acontecimentos misteriosos.
Segundo a narrativa de Câmara Cascudo, durante muito tempo ninguém queria morar próximo às margens porque o choro podia ser ouvido durante a noite.
Com o passar dos anos, entretanto, o choro teria desaparecido.
Foi então que começou a surgir outra figura.
Um homem misterioso.
O Barba Ruiva.
O homem que muda de idade durante o dia
Uma das características mais famosas do Barba Ruiva é sua capacidade de aparecer em diferentes idades.
Pela manhã, ele surge como menino.
Ao meio-dia, aparece como um homem jovem de barba ruiva.
Ao anoitecer, transforma-se em um homem velho de barba branca.
Essa característica é registrada em diferentes versões da lenda e aparece inclusive em materiais que estudam a tradição folclórica piauiense.
Por causa dessa transformação, o nome Barba Ruiva pode parecer estranho em algumas versões, já que o personagem também é conhecido como Barba Branca.
O próprio Dicionário do Folclore Brasileiro registra as duas denominações.
Como é o Barba Ruiva?
Nas descrições tradicionais, o Barba Ruiva é apresentado como um homem de pele muito clara, estatura regular e cabelos avermelhados.
Quando sai da água, suas barbas, unhas e peito podem aparecer cobertos de lodo e limo.
Algumas fontes descrevem o personagem sentado ou descansando na margem da lagoa, enquanto outras contam que ele sai da água e se aproxima das mulheres que estão lavando roupa.
Uma característica importante aparece em várias versões:
o Barba Ruiva não é considerado um assassino.
Apesar de assustar as pessoas e perseguir mulheres, a narrativa tradicional afirma que ele não fazia mal a ninguém.
O Barba Ruiva perseguia as mulheres?
Sim.
Essa é uma das partes mais conhecidas da lenda.
Segundo os relatos tradicionais, mulheres que iam lavar roupas ou tomar banho na margem da lagoa poderiam encontrar o Barba Ruiva.
Ele se aproximava delas e tentava abraçá-las e beijá-las.
Assustadas, elas fugiam.
O Barba Ruiva então corria de volta para a lagoa e desaparecia nas águas.
Por causa dessas histórias, criou-se o costume de evitar que mulheres fossem sozinhas à lagoa.
A narrativa do Festival do Folclore de Olímpia, por exemplo, registra que nenhuma mulher lavava roupa sozinha nas margens por causa do medo do encantado.
E o que acontecia quando um homem encontrava o Barba Ruiva?
Essa parte da história é especialmente curiosa.
De acordo com a versão registrada por Câmara Cascudo, o Barba Ruiva foge dos homens.
Quando um homem se aproxima, ele retorna para as águas.
Há, entretanto, um detalhe ainda mais estranho.
A tradição conta que alguns homens que encontraram o Barba Ruiva teriam ficado desorientados ou sem o uso da razão durante algum tempo.
O relato atribuído a Cascudo chega a mencionar que até um “homem de respeito” e doutor formado teria encontrado o Filho da Mãe d’Água e perdido a razão por horas.
Isso deve ser entendido como relato tradicional, e não como uma ocorrência comprovada cientificamente.
O Barba Ruiva é perigoso?
Nas principais versões encontradas, não.
Apesar de perseguir mulheres, assustar pessoas e provocar estranheza, o Barba Ruiva é descrito como inofensivo.
Câmara Cascudo registra que ele não ofende ninguém e apenas cumpre sua sina nas águas da lagoa.
Essa característica diferencia o Barba Ruiva de muitas outras criaturas do folclore brasileiro.
Ele é um encantado, não exatamente um monstro assassino.
Sua existência é apresentada como consequência de uma tragédia ocorrida no passado.
Como desencantar o Barba Ruiva?
Existe uma maneira específica de quebrar o encantamento.
Segundo a tradição, uma mulher precisa jogar água benta sobre a cabeça do Barba Ruiva e também utilizar um rosário sacramentado ou indulgenciado.
A partir disso, o encantamento seria quebrado.
A explicação apresentada pela lenda é religiosa: o Barba Ruiva seria pagão e, ao receber os elementos cristãos, deixaria de ser encantado.
Mas existe um problema.
Até onde vai a narrativa tradicional, essa mulher ainda não apareceu.
Por isso, o Barba Ruiva continuaria cumprindo sua sina nas águas da Lagoa de Parnaguá.
O Barba Ruiva é filho da Iara?
Essa é uma das características mais conhecidas nas versões modernas.
Em diversos textos, o Barba Ruiva é chamado de Filho da Mãe d’Água ou apresentado como filho da Iara.
Porém, é importante observar que existem variações da narrativa.
Na versão associada a Câmara Cascudo, a Mãe d’Água aparece quando o bebê é colocado na água e passa a ser associada diretamente à criança.
Já versões mais recentes afirmam explicitamente que a Iara teria acolhido o menino e se tornado sua mãe adotiva.
Por isso, para o seu blog, é melhor escrever que ele é tradicionalmente conhecido como Filho da Mãe d’Água, deixando claro que a forma como essa relação é explicada varia entre as versões.
Uma versão diferente: Miridan
Uma pesquisa sobre as versões históricas da lenda encontrou uma narrativa diferente registrada por Bugyja Britto.
Nessa versão, a mãe do Barba Ruiva se chama Miridan e é apresentada como uma indígena do povo Acaroás.
O menino é jogado nas águas e passa a ficar sob os cuidados das iaras. Nessa narrativa, ele permanece eternamente como uma criança, embora também seja descrito com cabelos claros e longas barbas.
Essa versão é importante porque demonstra que a lenda não possui uma história única.
Ela foi contada de diferentes maneiras ao longo do tempo.
O Barba Ruiva como sinal de chuva
A versão de Bugyja Britto possui ainda outra característica curiosa.
Segundo ela, o aparecimento do Barba Ruiva poderia ser interpretado como um sinal relacionado às chuvas.
Ele apareceria em determinadas épocas do ano e sua presença poderia indicar bons ou maus períodos de chuva.
Essa característica não aparece na versão mais conhecida de Câmara Cascudo.
Por isso, deve ser considerada uma variação da tradição, e não uma característica universal do Barba Ruiva.
O Barba Ruiva pode falar?
Outra variação encontrada afirma que o Barba Ruiva permanece calado.
Segundo a versão atribuída a Bugyja Britto, ouvir o Barba Ruiva falar seria um mau presságio, pois sua fala anunciaria o fim do mundo.
Esse detalhe é bastante diferente das versões mais populares, nas quais o personagem simplesmente aparece, persegue mulheres e foge para a lagoa.
Barba Ruiva ou Barba Branca?
Os dois nomes aparecem nas fontes.
O Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, registra o personagem como Barba Ruiva ou Barba Branca.
A explicação está provavelmente relacionada à própria transformação do personagem.
Ele pode aparecer com barba ruiva durante o dia e com barba branca ao anoitecer.
Por isso, diferentes narradores acabaram utilizando os dois nomes.
Uma versão antiga da história
A lenda do Barba Ruiva possui registros muito mais antigos do que as páginas atuais da internet podem fazer parecer.
Uma pesquisa sobre as versões da história cita Gustavo Dodt, que em 1873 descreveu a Lagoa de Parnaguá e registrou informações sobre a tradição.
Segundo esse material, Dodt tinha uma postura bastante cética em relação às lendas, mas ainda assim registrou que a lagoa possuía cerca de 15 quilômetros de comprimento por 5 quilômetros de largura naquela época e que estaria ganhando terreno todos os anos.
Sobre o Barba Ruiva, Dodt relacionou a história a um infanticídio.
Na versão mencionada por ele, a criança assassinada vagava pela lagoa sob a forma de um velho de barba branca, sentado em uma espécie de recipiente de ouro.
Essa versão apresenta uma diferença significativa em relação à história do tacho de cobre.
O relato de Damianna
Outro registro histórico particularmente interessante aparece associado a Valle Cabral, em texto de 1884.
Ele descreve o Barba Ruiva como um homem de pele clara, estatura regular e cabelos avermelhados.
O texto também apresenta o depoimento de uma mulher chamada Damianna, que teria contado uma versão sobre a origem da lagoa.
Segundo esse relato, antes da existência da grande lagoa havia uma mata de carnaubeiras cortada por um pequeno riacho.
As pessoas retiravam água de cacimbas cavadas próximas ao riacho.
Em determinado momento, uma jovem teria dado à luz enquanto buscava água.
Com medo de que sua mãe descobrisse, teria jogado a criança em uma cacimba.
Depois disso, as águas começaram a crescer rapidamente.
Em pouco tempo, a mata teria sido substituída pela lagoa.
Essa é uma das versões mais antigas registradas sobre a formação sobrenatural da Lagoa de Parnaguá.
O que a lenda explica?
A história do Barba Ruiva funciona principalmente como uma explicação sobrenatural para a existência da Lagoa de Parnaguá.
Antes da lagoa, segundo a tradição, havia apenas uma pequena fonte, uma cacimba ou um riacho.
Depois do abandono da criança, as águas teriam aumentado até cobrir a região.
Assim, o nascimento do encantado e o nascimento da lagoa fazem parte da mesma narrativa.
O personagem não está simplesmente morando em uma lagoa.
Ele faz parte da própria origem lendária dela.
O tamanho da Lagoa de Parnaguá também aparece nas histórias
A dimensão da lagoa aparece em diferentes registros.
O texto associado a Câmara Cascudo apresenta uma lagoa muito extensa, enquanto Gustavo Dodt registrou números específicos em 1873.
Segundo o material histórico reunido pela Geleia Total, Dodt indicava aproximadamente 15 quilômetros de comprimento por 5 quilômetros de largura naquela época.
A mesma fonte observa que a lagoa passou por grandes mudanças ao longo do tempo e chegou a sofrer uma redução extremamente significativa de seu volume de água, incluindo um período em que teria secado completamente em 2015.
Esses acontecimentos ambientais são fatos diferentes da lenda e não devem ser apresentados como consequência sobrenatural da história.
Existem relatos reais de pessoas que viram o Barba Ruiva?
Essa é uma das partes mais interessantes da pesquisa.
Existem relatos tradicionais de pessoas que afirmaram ter encontrado o Barba Ruiva.
Não são apenas versões modernas criadas na internet.
Fontes que reproduzem ou estudam a tradição mencionam pessoas que teriam encontrado o encantado nas margens da lagoa.
A versão de Câmara Cascudo afirma que “muita gente” teria visto o Barba Ruiva e também menciona o encontro de um homem instruído com o Filho da Mãe d’Água.
Outra fonte que apresenta a narrativa do Festival do Folclore de Olímpia afirma que o personagem era visto descansando às margens da lagoa e que mulheres se aproximavam dele antes de perceberem sua aparência sobrenatural.
Também existe um registro histórico de Damianna, citado por Valle Cabral em 1884, que apresenta uma narrativa sobre a origem da lagoa.
Mas esses relatos são provas?
Não.
Eles são relatos folclóricos e testemunhos registrados dentro da tradição popular.
Não existe comprovação científica de que o Barba Ruiva seja uma criatura física ou sobrenatural real.
Por isso, no seu Blogger, o mais correto é escrever:
“Existem relatos tradicionais de pessoas que afirmaram ter visto o Barba Ruiva.”
E não:
“O Barba Ruiva foi comprovadamente visto.”
Essa diferença deixa o artigo muito mais confiável.
A história do Barba Ruiva é verdadeira?
Como acontecimento sobrenatural, não há comprovação.
O que é verdadeiro é que:
- a Lagoa de Parnaguá existe;
- a região possui uma tradição folclórica ligada ao Barba Ruiva;
- a história foi registrada em diferentes épocas;
- pesquisadores e folcloristas estudaram a narrativa;
- existem relatos tradicionais de supostos encontros;
- o personagem aparece em obras de folclore brasileiro.
A existência do Barba Ruiva como criatura encantada, entretanto, pertence ao campo da lenda e da tradição popular.
A origem da lenda do Barba Ruiva
A origem da história parece estar relacionada à combinação de diferentes tradições.
A narrativa reúne elementos indígenas, religiosos e populares.
A presença da Mãe d’Água ou Iara representa o universo das entidades aquáticas.
O abandono da criança está relacionado ao tema do infanticídio.
A necessidade de água benta e rosário para quebrar o encantamento mostra a presença de elementos da tradição cristã.
Uma fonte moderna também relaciona a história a influências portuguesas, mas essa associação deve ser tratada com cuidado porque as diferentes fontes não apresentam exatamente a mesma explicação sobre a origem da lenda.
O que podemos afirmar com segurança é que a história foi sendo modificada e registrada por diferentes autores.
O nome Barba Ruiva tem relação com o pirata Barbarossa?
Não se deve confundir o personagem brasileiro com o famoso Khizr Reis, conhecido como Barbarossa ou Barba Ruiva, figura histórica ligada ao Mediterrâneo e ao Império Otomano.
Algumas páginas na internet afirmam que haveria uma relação entre os dois personagens.
Entretanto, a tradição folclórica piauiense apresentada nas fontes históricas é outra: o Barba Ruiva da Lagoa de Parnaguá é um encantado ligado a uma criança abandonada.
Portanto, não encontrei fundamento suficiente para afirmar que o personagem da lagoa seja uma adaptação direta do almirante otomano.
O Barba Ruiva e a religião
Um dos elementos mais evidentes da narrativa é a mistura entre crenças populares e cristianismo.
O personagem é considerado pagão.
Para quebrar o encantamento, seria necessário utilizar água benta e um rosário sacramentado ou indulgenciado.
Essa parte da história mostra como elementos da tradição cristã foram incorporados a uma narrativa sobre seres encantados das águas.
Assim, a lenda reúne diferentes camadas culturais.
Por que o Barba Ruiva persegue as mulheres?
As versões tradicionais não apresentam uma explicação única.
O comportamento mais comum descrito nas fontes é que o Barba Ruiva procura as mulheres que lavam roupas ou tomam banho na lagoa.
Ele tenta abraçá-las e beijá-las e depois retorna para a água.
Algumas versões modernas acrescentam que ele estaria procurando justamente a mulher capaz de desencantá-lo.
Essa explicação combina com a parte da lenda segundo a qual uma mulher corajosa precisa jogar água benta e um rosário sobre ele.
O Barba Ruiva ainda está na Lagoa de Parnaguá?
De acordo com a tradição, sim.
A lenda termina dizendo que ele continua cumprindo sua sina nas águas da lagoa porque ainda não apareceu a mulher capaz de quebrar seu encantamento.
É claro que isso pertence ao universo da narrativa folclórica.
Não há comprovação de que uma criatura chamada Barba Ruiva realmente habite a lagoa.
Mas, dentro da lenda, ele continua lá.
As principais versões da lenda
A pesquisa revelou que a história sofreu diversas transformações.
Versão de Câmara Cascudo
É uma das versões mais conhecidas.
A jovem abandona o bebê em um tacho de cobre. A Mãe d’Água intervém e as águas crescem até formar a Lagoa de Parnaguá.
Depois, o Barba Ruiva aparece como menino pela manhã, homem de barba ruiva ao meio-dia e velho de barba branca à noite.
Ele persegue mulheres, foge dos homens e pode ser desencantado com água benta e rosário.
Versão de Valle Cabral
A criança é abandonada em uma cacimba.
As águas aumentam rapidamente e transformam a região em lagoa.
O relato inclui o testemunho de Damianna sobre a história.
Versão de Gustavo Dodt
A narrativa está ligada ao infanticídio.
O personagem aparece como a criança assassinada, assumindo a forma de um velho de barba branca.
Versão de Bugyja Britto
A mãe recebe o nome de Miridan e é identificada como indígena Acaroá.
O menino fica sob os cuidados das iaras e existem elementos relacionados às chuvas e a um possível presságio ligado ao aparecimento do Barba Ruiva.
Essas diferenças são importantes porque mostram que não existe uma única versão absoluta da lenda.
Curiosidades sobre o Barba Ruiva
- O Barba Ruiva está associado à Lagoa de Parnaguá, no Piauí.
- Também aparece com o nome Barba Branca.
- É conhecido como Filho da Mãe d’Água.
- Em uma das versões, muda de idade ao longo do dia.
- De manhã, aparece como menino.
- Ao meio-dia, como jovem de barba ruiva.
- À noite, como velho de barba branca.
- É associado à origem lendária da Lagoa de Parnaguá.
- A lenda envolve uma criança abandonada.
- Em algumas versões, a criança é colocada em um tacho de cobre.
- Em outra versão antiga, ela é jogada em uma cacimba.
- A Mãe d’Água participa da história.
- O Barba Ruiva costuma fugir dos homens.
- Segundo as versões tradicionais, procura as mulheres que estão às margens da lagoa.
- Ele tenta abraçá-las e beijá-las.
- Não é descrito como assassino nas principais versões.
- A tradição afirma que pode ser desencantado com água benta e rosário.
- Existem relatos tradicionais de pessoas que afirmaram tê-lo visto.
- Não existe comprovação científica de que ele seja real.
- A história foi registrada por diferentes estudiosos do folclore.
- Entre os autores associados a registros da narrativa estão Câmara Cascudo, Gustavo Dodt, Valle Cabral, João Alfredo de Freitas, Joaquim Nogueira Paranaguá e Bugyja Britto.
Barba Ruiva: uma das lendas mais curiosas do Piauí
A história do Barba Ruiva permanece como uma das narrativas mais interessantes do folclore piauiense porque mistura uma tragédia familiar com a formação sobrenatural de uma paisagem real.
Uma criança é abandonada.
A Mãe d’Água intervém.
As águas crescem.
Uma lagoa surge.
E, anos depois, um misterioso encantado passa a aparecer em suas margens.
De manhã, menino.
Ao meio-dia, jovem de barba vermelha.
À noite, velho de barba branca.
Ele foge dos homens e procura mulheres.
Assusta quem o encontra, mas não é considerado verdadeiramente maléfico.
E, segundo a tradição, permanece esperando a mulher corajosa que consiga finalmente quebrar seu encantamento.
Conclusão
A lenda do Barba Ruiva é uma das histórias mais antigas e curiosas relacionadas ao folclore do Piauí.
Sua origem está ligada à Lagoa de Parnaguá, no sul do estado, cuja formação é explicada pela tradição através de um acontecimento sobrenatural.
Uma jovem teria abandonado o próprio filho nas águas de uma pequena fonte, riacho ou cacimba. A Mãe d’Água, revoltada com o abandono da criança, teria provocado uma enorme enchente. As águas cresceram até cobrir a região e formar a lagoa encantada.
Depois disso, começou a ser ouvido o choro de uma criança vindo das águas.
Com o passar dos anos, surgiu o Barba Ruiva.
Ele aparece de maneiras diferentes conforme a hora do dia: menino pela manhã, jovem de barba ruiva ao meio-dia e velho de barba branca à noite.
Os relatos tradicionais dizem que ele persegue mulheres que lavam roupa ou tomam banho nas margens, mas também afirmam que não costuma fazer mal a ninguém. Ele foge dos homens e retorna rapidamente para as águas.
Existem ainda registros antigos que mostram que a história não nasceu recentemente na internet. Autores como Gustavo Dodt, Valle Cabral, João Alfredo de Freitas e Joaquim Nogueira Paranaguá registraram diferentes versões da tradição, enquanto Câmara Cascudo incorporou o Barba Ruiva ao conjunto de lendas brasileiras.
Também existem relatos tradicionais de pessoas que afirmaram ter visto o encantado.
Mas isso não significa que a existência do Barba Ruiva tenha sido comprovada.
O que podemos comprovar é a existência da lenda, seus registros históricos e sua importância no imaginário popular piauiense.
E, para quem acredita na história, a pergunta continua sem resposta:
Será que o Barba Ruiva ainda espera, nas águas da Lagoa de Parnaguá, pela mulher que finalmente conseguirá desencantá-lo?
Sites que falam da lenda:
https://www.coisasdaroca.com/folclore/lenda-do-barba-ruiva.html
https://segredosdomundo.r7.com/barba-ruiva-2/
https://lendasdobrasil.blogspot.com/2011/03/lenda-do-barba-ruiva.html
https://escolaeducacao.com.br/barba-ruiva/
https://www.folcloreolimpia.com.br/-mitos-e-lendas/
https://www.mitoselendas.com.br/2013/10/mitos-e-lendas-do-brasil.html
https://blogdecamocim.blogspot.com/2012/08/a-lenda-do-barba-ri.html
https://podcasts.apple.com/br/podcast/barba-ruiva/id1562280561
https://www.youtube.com/watch?v=8hlygGFvzsU
https://www.youtube.com/watch?v=QAywQ7vbrn4
https://bdtd.uftm.edu.br/bitstream/tede/668/5/Dissert%20Fabiana%20M%20Cardoso.pdf
https://sistemas.intercom.org.br/pdf/submissao/regional/25/5260/060220261417466a1f103a32d1d.pdf

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