Entre as histórias de assombração que fazem parte do imaginário popular brasileiro, poucas são tão estranhas quanto a lenda da Mulher de Sete Metros. A figura descrita nas histórias é uma mulher de tamanho sobrenatural que aparece durante a noite, muitas vezes em ruas pouco movimentadas, estradas, regiões próximas a antigos cemitérios ou lugares afastados. Em algumas versões, ela simplesmente caminha sem atacar ninguém; em outras, aproxima-se de pessoas, cresce diante delas ou provoca acidentes e desaparece sem deixar qualquer explicação.
O mais curioso é que a Mulher de Sete Metros não possui uma única história de origem. A pesquisa sobre a lenda mostra que existem narrativas diferentes em várias regiões brasileiras. Em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, a aparição está ligada à história de uma mulher chamada Lavi Lopes, apresentada pela tradição como uma rica fazendeira que possuía escravizados e era extremamente cruel. Em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, uma mulher gigantesca passou a fazer parte do imaginário popular entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. Nesse caso, porém, existe uma revelação particularmente curiosa: um jornalista local afirmou posteriormente que ele próprio criou a história para pressionar a empresa de transporte coletivo a mudar o ponto final dos ônibus. No sul da Bahia, por outro lado, aparecem versões diferentes, incluindo uma registrada em cordel no século XX e outras associadas a aparições em estradas e cidades da região.
Por isso, quando alguém pergunta qual é a verdadeira história da Mulher de Sete Metros, a resposta não é tão simples. O que existe é um conjunto de narrativas que foram sendo transmitidas, modificadas e adaptadas em diferentes lugares. Algumas histórias possuem registros escritos e depoimentos de moradores; outras pertencem claramente à tradição oral. A seguir estão as principais versões encontradas durante a pesquisa.
A Mulher de Sete Metros de Patos de Minas
Uma das versões mais conhecidas da lenda está ligada a Patos de Minas, em Minas Gerais. Segundo registros de memória cultural da região, onde atualmente está localizado o Fórum Olympio Borges funcionou, no passado, um antigo cemitério. É justamente desse lugar que, segundo a tradição, surgiria a enorme mulher durante a noite.
Nessa versão, a assombração seria o espírito de uma mulher chamada Lavi Lopes. Ela é descrita como uma fazendeira muito rica que possuía escravizados e que teria sido extremamente cruel com eles. As histórias atribuídas a ela contam que costumava castigar pessoas de maneira brutal e que uma de suas práticas mais terríveis seria jogar gordura quente sobre aqueles que não cumpriam suas ordens. Outra história afirma que ela utilizava seus sapatos de salto alto para pisar nos braços de crianças escravizadas que engatinhavam diante dela, causando ferimentos e impedindo que recebessem tratamento.
A crueldade da mulher teria feito com que ela fosse progressivamente abandonada pelas pessoas ao seu redor. Conforme a narrativa, na velhice Lavi teria ficado sozinha, pobre e isolada. Quando morreu, seu corpo teria causado medo por causa de sua aparência, sendo descrito nas versões populares como um cadáver que não fechava os olhos nem a boca e permanecia com a língua para fora. Depois disso, começaram as histórias de acontecimentos estranhos relacionados à antiga casa onde ela havia vivido.
Mas a transformação em uma mulher gigantesca está ligada principalmente ao antigo cemitério. Segundo a tradição, quando o cemitério foi transferido e as ossadas foram retiradas do local, o espírito de Lavi Lopes não teria aceitado a violação de seu antigo lugar de descanso. A partir de então, uma figura feminina enorme teria começado a aparecer nas proximidades.
A Mulher de Sete Metros seria vista saindo da região do antigo cemitério e caminhando em direção às proximidades do monumento dedicado ao presidente Olegário Maciel. Sua altura era descrita como tão extraordinária que as pessoas não conseguiam enxergar seu rosto. A imagem que ficou na memória popular é a de uma mulher gigantesca caminhando durante a noite, fazendo com que quem estivesse nas proximidades fugisse assustado.
Apesar de a personagem Lavi Lopes aparecer em diferentes relatos, existe uma informação importante: pesquisas posteriores não encontraram registro histórico que comprove a existência dessa mulher exatamente como apresentada pela lenda. Portanto, Lavi Lopes deve ser tratada como personagem da tradição popular, e não como uma personagem histórica comprovadamente identificada.
O relato de uma mulher que realmente disse ter visto a Mulher de Sete Metros
Um dos aspectos mais interessantes da versão de Patos de Minas é que existe um depoimento registrado em um trabalho de pesquisa sobre os causos da região do Alto Paranaíba e do Noroeste Mineiro.
A narradora era Sebastiana Maria Castro, então com 84 anos, que contou uma história que havia escutado de seu avô. Segundo seu depoimento, quando ela era criança a família morava perto do antigo campo da URT e havia uma região próxima à lagoa onde homens costumavam se reunir durante a noite. Certa madrugada, o avô de Sebastiana estava sozinho e seguia pela região da Rua Tiradentes, nas proximidades da antiga cadeia, quando teria visto uma pequena figura feminina ao longe.
Conforme o relato transmitido por ele à família, a mulher começou a se aproximar. Enquanto caminhava em sua direção, parecia ficar cada vez maior. Quando chegou mais perto, já teria adquirido um tamanho gigantesco. O homem teria olhado para cima, ficou completamente apavorado e desmaiou. No dia seguinte, foi encontrado no local.
Esse depoimento é um registro real de uma pessoa contando aquilo que seu avô dizia ter presenciado. Isso é diferente de uma prova de que uma mulher sobrenatural realmente apareceu. O valor desse tipo de relato está justamente em mostrar como a história circulava entre os moradores e como a experiência de uma geração era transmitida para a seguinte.
A Mulher de Sete Metros de Patos de Minas ficou conhecida durante décadas
A lenda ganhou força suficiente para permanecer no imaginário da cidade por muito tempo. Em 2017, a história chegou ao cinema por meio do curta-metragem “A Mulher de Sete Metros”, produzido por artistas de Patos de Minas. O filme utilizou justamente a personagem lendária Lavi Lopes e sua suposta aparição na região da Avenida Getúlio Vargas. Notícias sobre a produção classificaram a Mulher de Sete Metros como uma das lendas urbanas importantes de Patos de Minas e região.
O fato de a história ter sido transformada em filme mostra como a personagem ultrapassou o simples relato de uma assombração e passou a fazer parte da identidade cultural e do imaginário da cidade.
A Mulher de Sete Metros de Montes Claros
Outra versão muito conhecida surgiu em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. A história ganhou força principalmente entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980, quando moradores dos bairros Morada do Parque e Major Prates começaram a falar sobre uma mulher gigantesca que aparecia durante a noite. Um trabalho apresentado em um seminário de História Social da Universidade Estadual de Montes Claros estudou justamente a origem e as diferentes versões dessa narrativa, utilizando entrevistas com moradores da cidade.
Nessa versão, a mulher teria uma altura tão absurda que não era possível enxergar sua cabeça quando alguém estava próximo dela. Uma das histórias mais repetidas dizia que um ônibus de lotação poderia passar por baixo de suas pernas. Outra característica curiosa era que, quando alguém tentava correr em sua direção, a distância parecia aumentar em vez de diminuir. Quanto mais a pessoa tentava chegar perto, mais distante a mulher ficava.
A aparição também era associada ao período da Quaresma em algumas versões. Durante a noite, a figura poderia ser vista caminhando pelas ruas ou pelas proximidades do parque municipal. Algumas narrativas descreviam a mulher vestida de preto, enquanto outras acrescentavam características diferentes ao seu corpo e à sua aparência.
A verdade por trás da Mulher de Sete Metros de Montes Claros
É aqui que a história fica ainda mais curiosa.
O jornalista João Carlos de Queiroz afirmou que a Mulher de Sete Metros de Montes Claros não surgiu de uma aparição sobrenatural, mas de uma história que ele próprio inventou.
Segundo o relato do jornalista, na época ele morava no conjunto Morada do Parque e havia um problema relacionado ao transporte coletivo. O ponto final dos ônibus ficava em uma região afastada, obrigando os moradores a atravessar ou subir um barranco escuro para chegar ao local. O jornalista já havia tentado chamar a atenção da empresa de transporte por meio de textos publicados na imprensa, mas não havia conseguido solucionar o problema.
Foi então que, durante a Quaresma, ele teve a ideia de criar uma história assustadora. A Mulher de Sete Metros seria uma aparição que surgiria no trevo do Anel Rodoviário e abriria as pernas para que o ônibus passasse por baixo delas. O jornalista combinou a história com um motorista de ônibus chamado Kleber, que teria concordado em confirmar a aparição caso fosse questionado.
O primeiro artigo sobre a suposta assombração foi publicado com o título “A assombração do Morada do Parque”. Segundo o próprio jornalista, o resultado foi muito maior do que ele esperava. A história se espalhou pela cidade e outros textos foram publicados, acrescentando novos detalhes à criatura. A mulher passou a ser descrita como vestida de preto, com botas e até com um cheiro desagradável.
O medo se espalhou entre os moradores. Segundo o relato do jornalista, algumas pessoas afirmavam ter visto a Mulher de Sete Metros nos quintais de suas casas ou andando pelas ruas mais afastadas. O próprio autor da história, porém, continuava circulando tranquilamente pela região, pois sabia que a aparição havia sido inventada por ele.
Com o passar do tempo, a história perdeu força depois do fim da Quaresma, mas não desapareceu. Pelo contrário, acabou sendo incorporada ao folclore local.
Essa revelação é uma das informações mais importantes sobre a lenda: existiram relatos reais de pessoas dizendo que tinham visto a Mulher de Sete Metros, mas a origem específica dessa versão de Montes Claros foi assumidamente uma invenção jornalística.
A Mulher de Sete Metros e as bonecas gigantes
A história de Montes Claros acabou ganhando uma tradição bastante curiosa. Segundo o próprio jornalista que afirmou ter criado a lenda, durante a Quaresma passaram a ser confeccionadas bonecas gigantes de pano representando a Mulher de Sete Metros. Essas figuras eram colocadas em espaços próximos às igrejas e, no Sábado de Aleluia, eram destruídas por crianças e adultos, com doces espalhados entre os restos.
Dessa maneira, uma história criada originalmente para chamar a atenção para um problema de transporte acabou adquirindo vida própria e entrando no folclore da cidade.
É um exemplo bastante interessante de como uma lenda urbana pode nascer: primeiro como uma história inventada, depois como boato, em seguida como relato de supostas testemunhas e, finalmente, como parte da memória coletiva de uma comunidade.
A Mulher de Sete Metros na Bahia
A lenda também aparece no sul da Bahia, especialmente ligada a Itabuna. Nesse caso, a história possui uma relação importante com a literatura de cordel.
O poeta popular Minelvino Francisco Silva publicou, em 1968, o cordel “A Mulher de Sete Metros que apareceu em Itabuna”. Pesquisas sobre literatura oral da região destacam que essa versão escrita representa uma recriação de uma narrativa que circulava anteriormente na oralidade. Portanto, a história não ficou apenas no papel: ela fazia parte do imaginário popular da região e acabou sendo registrada em literatura de cordel.
Na versão de Itabuna, uma mulher aparece durante a noite e chama a atenção pela sua aparência. A narrativa coloca a personagem em contato com um motorista de táxi. Depois de conseguir uma carona e se aproximar do homem, a mulher começa a crescer de maneira sobrenatural, até alcançar uma altura gigantesca, semelhante à de um poste.
A explicação apresentada nessa versão também é diferente da história de Lavi Lopes. A mulher seria uma alma que não conseguiu entrar no paraíso por causa da maneira como se vestia quando estava viva. Sua condição sobrenatural seria, portanto, apresentada como uma espécie de punição.
Essa versão mostra como o mesmo nome pode representar uma história completamente diferente. Enquanto a Mulher de Sete Metros de Patos de Minas está ligada a uma antiga fazendeira e ao passado escravista, a versão de Itabuna possui características de uma história moralizante, relacionada à aparência e ao comportamento da mulher.
A versão da Mulher de Sete Metros que aparece na estrada
Outra narrativa encontrada sobre a região de Itabuna conta que a aparição poderia surgir em determinado trecho de uma rodovia, geralmente depois do início da noite. A mulher apareceria no meio da estrada e faria com que os motoristas perdessem o controle dos veículos.
Nessa versão, seu vestido branco brilharia quando fosse atingido pelos faróis dos carros. Os acidentes ocorridos no local acabavam sendo atribuídos à aparição, criando a fama de que a Mulher de Sete Metros era responsável pelas colisões. Entretanto, o próprio autor do relato deixa claro que nunca viu a mulher e questiona se a história não teria sido criada para explicar acidentes causados por outros motivos.
Mais uma vez, aparece a característica comum das lendas urbanas: um acontecimento real ou uma situação perigosa pode receber uma explicação sobrenatural e, depois de repetida muitas vezes, transformar-se em tradição.
A Mulher de Sete Metros de Tapiramutá
Outra versão encontrada durante a pesquisa aparece em Tapiramutá, no interior da Bahia. Nessa narrativa, a personagem é descrita de maneira diferente das versões mineiras.
A história fala sobre uma moça muito bonita que teria morrido antes de conseguir se casar. Depois da morte, sua aparição passou a ser associada à região onde ficava o primeiro cemitério da cidade. Ela surgiria vestida de branco, com o rosto coberto por um véu, e teria como característica principal a capacidade de crescer diante dos homens que se aproximassem. Quanto mais próxima estivesse da pessoa, maior se tornaria.
Essa versão apresenta elementos semelhantes aos relatos de outras regiões, principalmente a transformação de uma mulher aparentemente comum em uma figura gigantesca. Ao mesmo tempo, sua origem está relacionada à figura da noiva fantasma, mostrando como diferentes tipos de assombração podem acabar se misturando na tradição oral.
A Mulher Branca de Itaberaí
Também foram encontradas referências a uma figura semelhante em Itaberaí, em Goiás. Nesse caso, a personagem aparece associada ao nome Mulher Branca. Segundo o relato atribuído a Antônio César, do Instituto de Pesquisa em Estudos Históricos do Brasil Central, a aparição seria conhecida na região e teria relatos que remontariam ao século XIX. Uma das histórias afirma que um padre teria visto a figura puxando a corda do sino de uma igreja.
Essa versão não é necessariamente a mesma Mulher de Sete Metros de Patos de Minas ou de Montes Claros. O que existe é uma semelhança muito forte no motivo folclórico: uma figura feminina aparentemente humana que, ao ser observada de perto, revela uma dimensão sobrenatural.
Por que a Mulher de Sete Metros tem sete metros?
O número sete aparece no próprio nome da lenda, mas as fontes pesquisadas não apresentam uma explicação única para essa escolha. Na prática, o número funciona como uma maneira de representar uma altura impossível para um ser humano comum.
Em algumas histórias, inclusive, a mulher é descrita como sendo ainda maior do que sete metros. A ideia central não é necessariamente a medida exata, mas a sensação de que a figura é tão alta que uma pessoa comum não consegue sequer enxergar seu rosto.
Em Montes Claros, por exemplo, a história dizia que um ônibus poderia passar entre suas pernas. Em outras versões, a mulher começa pequena e vai crescendo conforme se aproxima da pessoa.
A Mulher de Sete Metros realmente existiu?
Não existe evidência histórica ou científica de que uma mulher sobrenatural de sete metros tenha existido.
No caso de Lavi Lopes, personagem da versão de Patos de Minas, uma pesquisa cultural registra explicitamente que não foi encontrado registro histórico sobre a mulher que pudesse comprovar a existência dela conforme apresentada pela lenda.
No caso de Montes Claros, a situação é ainda mais clara: o jornalista João Carlos de Queiroz afirmou que criou a história como uma estratégia para pressionar a empresa de transporte coletivo. Portanto, pelo menos essa versão específica nasceu de uma invenção deliberada que acabou sendo incorporada ao imaginário popular.
Isso não significa que os relatos de testemunhas sejam falsos no sentido de que ninguém acreditou neles. Pelo contrário. Existem depoimentos reais de pessoas que afirmaram ter visto a Mulher de Sete Metros. O que não existe é uma comprovação independente de que aquilo que elas viram fosse realmente uma criatura sobrenatural.
Os relatos reais sobre a Mulher de Sete Metros
Quando falamos em “relatos reais” sobre a Mulher de Sete Metros, é importante fazer uma distinção.
Existem relatos reais registrados em entrevistas, livros, trabalhos acadêmicos, jornais e depoimentos de moradores. Essas pessoas realmente contaram que viram ou ouviram histórias sobre a aparição. Isso pode ser estudado como memória, tradição oral e folclore.
O que não existe é uma prova real de que a criatura tenha sido fotografada de maneira verificável, capturada, identificada ou examinada cientificamente.
O depoimento do avô de Sebastiana Maria Castro, em Patos de Minas, é um exemplo. Ele teria encontrado uma mulher que começou a crescer até adquirir um tamanho gigantesco e acabou desmaiando de medo. A história foi registrada posteriormente por pesquisadores interessados na memória cultural da região.
Em Montes Claros, vários moradores também afirmaram ter visto a mulher, segundo pesquisas sobre a memória da lenda. Entretanto, a posterior declaração do jornalista que criou a história demonstra como um boato pode produzir relatos sinceros de pessoas que acreditam ter presenciado aquilo que ouviram falar.
O que a Mulher de Sete Metros representa?
As pesquisas sobre a lenda mostram que histórias desse tipo podem cumprir funções muito maiores do que simplesmente assustar.
O trabalho acadêmico dedicado à Mulher de Sete Metros de Montes Claros aponta que diferentes versões da história apresentavam questões morais, comportamentais ou de controle social. Isso significa que a aparição podia funcionar como uma maneira de transmitir medo, estabelecer limites ou explicar determinados comportamentos.
Na versão de Patos de Minas, a personagem Lavi Lopes representa, dentro da narrativa popular, a punição de uma pessoa associada à crueldade praticada contra escravizados. A história também pode ser interpretada como uma forma de preservar na memória coletiva uma condenação moral dos abusos ligados ao período escravista.
Na Bahia, a versão registrada em cordel possui outro tipo de moralidade e mostra como uma mesma figura sobrenatural pode receber diferentes significados dependendo da região e do contexto cultural.
Por que existem tantas versões da Mulher de Sete Metros?
A resposta está principalmente na tradição oral.
Lendas não funcionam como documentos históricos com uma versão oficial. Uma pessoa conta uma história para outra, que conta para outra, e cada narrador pode acrescentar, retirar ou modificar detalhes. Depois, jornais, livros, cordéis, programas de televisão, blogs e redes sociais podem registrar novamente a narrativa, fazendo com que ela ganhe novos elementos.
É justamente o que pode ser observado no caso da Mulher de Sete Metros. Em Patos de Minas, existe uma versão associada a Lavi Lopes. Em Montes Claros, aparece uma mulher gigantesca ligada à Quaresma e aos bairros Morada do Parque e Major Prates. No sul da Bahia, a personagem aparece em narrativas diferentes, inclusive em cordel. Em Tapiramutá, existe ainda outra história relacionada a uma noiva fantasma que cresce diante dos homens.
Portanto, não é correto juntar todos esses acontecimentos como se fossem uma única história ocorrida em um único lugar. O mais correto é dizer que a “Mulher de Sete Metros” é um motivo de assombração que aparece em diferentes tradições regionais brasileiras.
Curiosidades sobre a lenda da Mulher de 7 Metros
Uma das curiosidades mais impressionantes é que a versão de Montes Claros possui uma origem conhecida. O próprio homem que ajudou a criar a história afirmou que tudo começou como uma estratégia para chamar atenção para um problema de transporte público.
Outra curiosidade é que a Mulher de Sete Metros de Patos de Minas possui um depoimento oral registrado por pesquisadores. Sebastiana Maria Castro contou uma história transmitida pelo avô, que teria desmaiado depois de observar a figura crescendo diante dele.
Também chama atenção o fato de que a história chegou ao cinema em Patos de Minas. O curta-metragem produzido em 2017 utilizou Lavi Lopes como personagem central e mostrou como a lenda continuava presente no imaginário da população.
Na Bahia, a lenda também foi registrada em literatura de cordel. O trabalho de Minelvino Francisco Silva, publicado em 1968, é uma das formas mais conhecidas de registro escrito da Mulher de Sete Metros em Itabuna.
A Mulher de Sete Metros é uma das lendas mais assustadoras do Brasil?
A força da lenda não está apenas na aparência da criatura, mas principalmente naquilo que ela representa. Uma mulher gigantesca caminhando durante a noite, tão alta que ninguém consegue ver seu rosto, é uma imagem que trabalha diretamente com um dos medos mais antigos do ser humano: encontrar algo que não consegue compreender.
Em algumas versões, a mulher nem sequer precisa atacar. Sua simples presença é suficiente para provocar medo. Em outras, ela cresce conforme se aproxima, impedindo qualquer possibilidade de entender o que está acontecendo. E em algumas narrativas, ela aparece justamente em locais onde as pessoas já sentem insegurança, como estradas escuras, cemitérios, pontes e ruas afastadas.
Talvez seja justamente essa simplicidade que tenha ajudado a história a sobreviver. Não é necessário explicar completamente quem é a mulher ou de onde ela veio. Basta imaginar uma pessoa caminhando sozinha durante a madrugada e, ao longe, enxergar uma figura feminina que parece estar ficando cada vez maior.
Perguntas frequentes sobre a Mulher de 7 Metros
Quem é a Mulher de 7 Metros?
A Mulher de 7 Metros é uma figura sobrenatural presente em diferentes lendas brasileiras. Ela é descrita como uma mulher de tamanho gigantesco que aparece principalmente durante a noite.
A Mulher de Sete Metros é de Minas Gerais?
Uma das versões mais conhecidas é de Minas Gerais, especialmente de Patos de Minas e Montes Claros. Porém, existem versões também na Bahia e referências semelhantes em Goiás.
Quem é Lavi Lopes?
Lavi Lopes é o nome atribuído à personagem da versão de Patos de Minas. Segundo a tradição, ela teria sido uma rica fazendeira extremamente cruel com os escravizados. Não foi encontrado registro histórico que confirme sua existência exatamente como aparece na lenda.
A Mulher de Sete Metros aparece na Quaresma?
Algumas versões afirmam que sim, principalmente as relacionadas a Montes Claros. O período da Quaresma aparece associado à circulação da assombração em diferentes relatos.
Existem pessoas que afirmaram ter visto a Mulher de Sete Metros?
Sim. Existem depoimentos registrados em pesquisas e relatos locais. Um dos casos mais conhecidos é o depoimento de uma família de Patos de Minas sobre o avô de Sebastiana Maria Castro, que teria encontrado uma mulher que cresceu diante dele.
A Mulher de Sete Metros de Montes Claros era verdadeira?
A história se tornou verdadeira como lenda popular, mas sua origem específica foi posteriormente assumida pelo jornalista João Carlos de Queiroz, que declarou ter inventado a assombração para chamar atenção para o problema do transporte coletivo.
A Mulher de Sete Metros existe de verdade?
Não há comprovação científica ou histórica de uma criatura sobrenatural com sete metros de altura. O que existe são relatos, tradições orais, registros culturais, obras literárias e histórias transmitidas entre moradores.
Conclusão
A lenda da Mulher de 7 Metros é um exemplo perfeito de como uma história de assombração pode mudar completamente quando passa de uma região para outra. Em Patos de Minas, a personagem aparece ligada à memória de Lavi Lopes, uma mulher descrita pela tradição como cruel com seus escravizados e que, depois da morte, teria se transformado em uma gigantesca aparição ligada ao antigo cemitério da cidade. Em Montes Claros, a Mulher de Sete Metros surgiu como uma história urbana que se espalhou rapidamente entre os moradores, chegando ao ponto de algumas pessoas afirmarem ter visto a criatura, embora o jornalista responsável tenha posteriormente revelado que havia inventado a história para pressionar a empresa de transporte público. No sul da Bahia, a personagem ganhou outra vida através da tradição oral e do cordel, aparecendo em histórias diferentes das versões mineiras.
O mais interessante, portanto, talvez não seja descobrir se uma mulher de sete metros realmente caminhou pelas ruas brasileiras, mas entender como pessoas de diferentes lugares conseguiram criar e preservar uma imagem tão poderosa. A figura gigantesca que surge no escuro, que parece crescer quando se aproxima e cujo rosto muitas vezes não pode ser visto representa exatamente aquilo que uma boa lenda precisa provocar: medo do desconhecido.
Existem relatos reais de pessoas que contaram ter visto a Mulher de Sete Metros, existem pesquisas que registraram essas memórias e existem documentos mostrando como a história se espalhou. Mas esses relatos não comprovam a existência de uma criatura sobrenatural. Eles comprovam algo diferente e igualmente interessante: a Mulher de Sete Metros realmente existiu como personagem do imaginário popular e, em algumas cidades, tornou-se parte da memória cultural de várias gerações.
E talvez seja justamente por isso que a história continue sendo contada. Porque quando alguém atravessa uma rua escura, passa perto de um antigo cemitério ou dirige sozinho por uma estrada durante a madrugada, ainda existe aquela possibilidade imaginada de olhar para o horizonte e encontrar, muito longe, uma figura feminina caminhando lentamente. Primeiro parece pequena. Depois parece maior. E, quando se percebe o tamanho que ela alcançou, talvez já seja tarde demais para descobrir quem está realmente caminhando naquela escuridão.
Sites que falam da lenda;
https://portal-dos-mitos.blogspot.com/2022/03/mulher-de-sete-metros.html
https://efecadepatos.com.br/category/lendas/
https://lendas-da-paraiba.noradar.com/lenda-da-mulher-de-7-metros/
https://cartasdecultura.com.br/mulher-de-7-metros/
https://blog.zona33.com.br/2017/12/10-lendas-brasileiras-assustadoras.html
https://www.recantodasletras.com.br/contoscotidianos/7284098
https://www.uesc.br/editora/livrosdigitais/itan_dos_mais_velhos.pdf
https://fantasia.fandom.com/pt/wiki/Mulher_de_Sete_Metros

0 Comentários