O grito ecoou pela floresta, morrendo aos poucos até ser engolido pelo silêncio. O grupo ficou imóvel por alguns segundos, o medo pairando no ar como uma presença invisível.
— Isso foi real, certo? Não foi minha imaginação? — Maya perguntou, cruzando os braços, tentando esconder o arrepio que percorreu sua pele.
— Foi real — confirmou Lucas, os olhos atentos à trilha de terra batida que levava ao centro do acampamento.
Felipe engoliu seco. — Certo... Alguém pode sugerir que a gente dê meia-volta e vá pra casa?
Laura deu um leve soco no braço dele. — Você sabe que não vamos fazer isso.
Bianca folheou rapidamente seu velho livro, tentando encontrar alguma referência ao que poderia estar acontecendo. — Se o que selamos há cinco anos está voltando... talvez tenha algo que esquecemos.
— Ou algo que nunca entendemos completamente — disse Vitor, olhando ao redor com inquietação.
Eles caminharam lentamente até a clareira onde, anos atrás, haviam feito o ritual para selar a entidade sombria. A árvore retorcida ainda estava lá, mas algo nela estava diferente: a casca estava rachada, e do interior das fissuras escorria uma seiva escura como piche, pulsando lentamente, como se estivesse viva.
— Ah, ótimo. Isso não parece nada demoníaco — murmurou Felipe.
Laura se aproximou e tocou a casca da árvore com a ponta dos dedos. No mesmo instante, uma onda de energia fria atravessou seu corpo, e uma voz sussurrou diretamente em sua mente:
"Vocês voltaram... mas desta vez, não escaparão."
Laura recuou com um grito, segurando a cabeça.
— O que foi? — Lucas correu até ela.
— Eu ouvi algo... — ela respirava com dificuldade. — Algo... esperando por nós.
Antes que pudessem reagir, a névoa começou a se formar ao redor da clareira, cobrindo o chão como uma manta fantasmagórica. Um sussurro múltiplo veio de todas as direções, como se centenas de vozes falassem ao mesmo tempo, misturando-se ao vento.
Bianca virou as páginas freneticamente. — Isso não estava no livro antes!
A névoa se condensou diante deles, tomando uma forma humanoide. Olhos brancos brilharam dentro da escuridão, e um sorriso alongado e distorcido se formou.
— Vocês fecharam uma porta... mas deixaram uma fresta aberta — a entidade sussurrou, sua voz carregada de ecos e distorção. — Agora, eu me alimentei... e estou mais forte.
Maya agarrou o braço de Lucas, trêmula. — Eu não gosto disso...
Lucas, mantendo-se firme, encarou a criatura. — Quem é você?
A sombra inclinou a cabeça para o lado. Dessa vez, não era apenas uma manifestação do mal que enfrentaram antes. Era algo mais profundo, algo que cresceu dentro do próprio selo que criaram.
— Eu sou aquilo que vocês temeram. Sou aquilo que vocês abandonaram. E agora... vocês são meus.
De repente, a entidade se lançou contra eles. O vento soprou com força, apagando a pouca luz que havia ao redor.
O jogo mortal havia começado novamente.
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