Laura sentiu o suor escorrer pela testa enquanto olhava para Lucas e Felipe, ainda desacordados diante dela. O tempo parecia estar se esgotando.
— Não há escolha! Eu não vou cair nesse jogo! — ela gritou, tentando manter a voz firme.
Mas a entidade apenas riu.
— Todos fazem escolhas, Laura... algumas são apenas mais difíceis que outras.
As velas piscavam, e uma sombra começou a se formar ao seu redor, crescendo, se movendo, como se fosse engolir tudo.
E então ela tomou uma decisão.
Laura fechou os olhos e se concentrou. Seu coração batia acelerado, mas sua mente buscava uma saída. Se isso era um teste... significava que havia uma resposta oculta.
— Eu escolho... nenhum.
As velas tremeram violentamente.
— Isso não é permitido. — a entidade sibilou.
Laura abriu os olhos e sorriu.
— Ah, é? Então por que você não nos mata agora?
A sombra hesitou.
— Porque você precisa que eu faça essa escolha. Precisa do meu medo, do meu desespero. Mas eu não vou dar isso pra você.
A entidade rugiu, e tudo se despedaçou ao redor de Laura.
Ela sentiu o chão sumir sob seus pés e, no instante seguinte, despertou de volta na floresta, ofegante.
Ela havia vencido.
Mas... onde estavam os outros?
Bianca e Vitor: O Reflexo da Verdade
Vitor lutava contra sua versão distorcida, mas cada golpe que ele desferia era rebatido com força dobrada.
— Isso é inútil! — o reflexo zombou. — Eu sou tudo que você é... e tudo que você nega ser!
Vitor sentiu os braços fraquejarem.
Era verdade.
O reflexo era sua própria imagem — seus medos, suas falhas, sua escuridão. Enquanto ele continuasse lutando contra si mesmo, nunca venceria.
Então, ele fez algo inesperado.
Ele parou.
Baixou os punhos e encarou seu reflexo.
— Eu não sou perfeito. Eu cometo erros. Mas sou mais do que só isso.
A criatura congelou.
O sorriso do reflexo começou a rachar, como vidro trincando.
— O quê?! NÃO!
A imagem de Vitor explodiu em fragmentos, e o espelho ao seu redor se partiu, revelando a floresta novamente.
Ele caiu no chão, respirando pesadamente.
Bianca apareceu ao seu lado, os olhos arregalados.
— O que aconteceu?!
Vitor sorriu, mesmo sentindo o corpo pesado.
— Eu me aceitei.
Bianca o ajudou a se levantar, e os dois se olharam, finalmente livres.
— Vamos achar os outros.
E, de mãos dadas, eles correram para fora do labirinto.
Maya: O Último Passo
Maya tremia ao encarar a versão distorcida de Lucas.
— Você não é ele. — sua voz estava fraca, mas determinada.
O falso Lucas sorriu.
— Não? Então por que você ainda tem medo?
Maya fechou os olhos. Sim, ela tinha medo. Medo de ser fraca, de não ser amada de verdade.
Mas ali, naquele momento... ela percebeu que Lucas sempre esteve ao seu lado, mesmo quando ela não merecia.
E agora, ela precisava ser forte por ele.
— Eu sei quem eu sou. E sei quem ele é. Você não pode mais me enganar.
A criatura gritou, se contorcendo. A ilusão começou a ruir.
E, quando Maya abriu os olhos, ela estava de volta à floresta.
E lá, parado diante dela, estava o verdadeiro Lucas.
Sem pensar duas vezes, ela correu para ele e o abraçou forte.
— Achei que tinha te perdido.
Lucas sorriu e a segurou firme.
— Eu nunca deixaria isso acontecer.
Atrás deles, Vitor, Bianca e Laura surgiram na clareira. Todos estavam exaustos, mas juntos novamente.
Mas a noite ainda não havia acabado.
O Último Encontro
A névoa na floresta começou a girar ao redor deles, formando um vórtice negro.
E então, a figura encapuzada apareceu novamente.
— Vocês fugiram das ilusões... mas ainda não venceram.
Lucas deu um passo à frente, os olhos cheios de determinação.
— Chega de jogos. Quem é você de verdade?
A entidade sorriu.
— Eu sou o que sobrou do que vocês tentaram selar. Mas desta vez... não há selo que possa me prender.
A floresta tremeu, e uma rajada de vento frio atravessou o grupo.
Bianca apertou o livro em suas mãos.
— Talvez não possamos selá-lo de novo... mas podemos destruí-lo.
Laura olhou ao redor.
— Então precisamos de um plano. E rápido.
Vitor sorriu, mesmo com medo.
— Vamos acabar com isso, juntos. Como sempre.
A entidade riu, as sombras crescendo ao seu redor.
— Podem tentar... mas desta vez, não há saída.
E então, a batalha final começou.
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