Havia uma estrada rural onde ninguém gostava de passar à noite. No meio dela, existia uma casa pequena, quadrada, sem nenhuma janela — só uma porta enferrujada na frente. Diziam que foi construída assim para “manter algo preso lá dentro”.
Rafael, curioso e desafiado pelos amigos, decidiu entrar na casa e gravar tudo para provar que era só superstição.
A porta rangeu tão alto que ecoou pela estrada inteira.
Lá dentro, o ar era pesado, úmido, como de um lugar que não havia sido aberto por décadas.
A casa tinha apenas um cômodo. No centro, havia uma cadeira virada para a parede. Uma única lâmpada pendurada por um fio tremia levemente, mesmo sem vento.
Rafael caminhou lentamente, filmando.
— “Alô? Tem alguém aqui?”, perguntou, rindo nervoso.
A lâmpada balançou mais forte.
Então ele notou algo que não estava lá quando entrou: uma segunda sombra no chão.
Uma sombra alta, magra, atrás dele.
Rafael girou o celular para trás. Nada.
Mas a segunda sombra continuava ali no chão.
Ele começou a tremer.
A porta atrás dele se fechou sozinha. O som bateu como um trovão.
A luz piscou.
Na parede, acima da cadeira, havia uma frase escrita em riscos profundos:
NÃO OLHE PARA O TETO.
Rafael sentiu o coração parar.
Porque, naquele exato instante, ele ouviu algo se arrastar lá em cima.
Devagar.
Pesado.
Como unhas deslizando pelo concreto.
Ele não queria olhar. Quase chorava. Mas a curiosidade venceu o instinto.
Quando ergueu o rosto, viu a coisa presa no teto — torta, contorcida, como se tivesse sido esmagada contra o concreto, mas ainda viva. Os braços e pernas se abriam em ângulos impossíveis. A cabeça girou lentamente para encará-lo.
Os olhos eram profundos, enormes… e vazios.
A criatura abriu a boca, que se estendia até quase o pescoço, e disse com uma voz que parecia vir de dentro das paredes:
— Agora você fica. Eu saio.
A luz apagou.
A porta abriu sozinha.
E quando os amigos de Rafael voltaram ao amanhecer, encontraram a casa do mesmo jeito de sempre — vazia, silenciosa.
Mas agora… havia outra sombra dentro dela.
E ninguém sabe onde Rafael foi parar.

0 Comentários