Lucas havia acabado de se mudar para um apartamento pequeno no terceiro andar de um prédio antigo. O aluguel era barato demais — mas ele não questionou. Precisava economizar.
Na primeira noite, notou algo estranho: quando apagava as luzes, a escuridão parecia mais pesada do que deveria. Não era só ausência de luz… era como se tivesse alguma coisa dentro dela.
Enquanto tentava dormir, ouviu um som suave atrás do guarda-roupa, como uma respiração lenta:
“Haaaaa… hhhhhh…”
Ele acendeu o abajur. O som parou instantaneamente.
Achou que estava cansado.
Na segunda noite, acordou às 3h04 com a mesma respiração — agora um pouco mais perto, como se estivesse ao lado da cama.
Lucas abriu os olhos devagar.
No canto do quarto, a sombra parecia mais escura do que todas as outras, como se tivesse profundidade. Como se fosse um poço negro se movendo sozinho.
E então, algo se estendeu de dentro dela…
Primeiro uma forma… depois outra… pareciam dedos longos e finos.
A sombra recuou quando a luz acendeu. Como se estivesse viva.
Nos dias seguintes, Lucas começou a perceber que a sombra o acompanhava.
À noite, ela estava sempre em um lugar diferente:
-
atrás da porta
-
ao lado da cômoda
-
no teto
-
e uma vez, refletida no espelho mesmo sem nada atrás dele
Ele não conseguia dormir.
Começou a ouvir palavras entre os suspiros:
“…troca…”
“…troca…”
“…quero o seu lugar…”
Na sexta noite, exausto, Lucas decidiu gravar enquanto dormia. Deixou o celular filmando o quarto inteiro.
Às 3h04, como sempre, algo começou a aparecer na filmagem.
A sombra primeiro se ergueu… depois ganhou forma… até se tornar uma figura alta, contorcida, sem rosto — apenas um vazio escuro ondulando como fumaça espessa.
A sombra se aproximou da cama.
Colocou a mão no peito de Lucas.
E ele parou de respirar por alguns segundos.
No vídeo, a sombra inclinou a cabeça, observando ele sufocar… e então sussurrou algo tão baixo que o microfone quase não captou:
“…mais um pouco… e eu fico…”
No dia seguinte, Lucas fugiu do apartamento.
Mas a noite chegou.
E quando ele apagou a luz em outro lugar, percebeu que já era tarde demais.
A sombra estava ali.
No canto do quarto.
Esperando.
Respirando.
“Haaaaa… hhhhhh…”

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