Havia um internato antigo no interior de Minas Gerais, famoso por sua arquitetura imponente e histórias assustadoras. Entre todas as lendas contadas pelos alunos, uma era a mais temida: o quarto 27, que permanecia sempre trancado.
Dizia-se que, anos antes, uma aluna chamada Helena havia desaparecido dentro daquele quarto, e ninguém jamais a encontrou. Desde então, professores e funcionários proibiam qualquer aproximação. Mas, como toda proibição, aquilo apenas aumentava a curiosidade dos jovens.
Certa noite, três estudantes — Marcos, Júlia e Henrique — decidiram provar que era apenas uma lenda. Conseguiram arrombar a porta do quarto 27 e entraram, rindo nervosamente.
O ambiente cheirava a mofo, mas o ar parecia pesado demais, como se sugasse a energia deles. A cama estava intacta, com lençóis velhos e rasgados, e no canto havia um espelho coberto por um lençol empoeirado.
— “Isso aqui é só um quarto velho”, disse Marcos, tentando esconder o medo.
Júlia puxou o pano do espelho. No reflexo, os três apareceram... mas havia uma quarta pessoa entre eles: uma menina pálida, de vestido branco, com os olhos escuros como vazio.
Antes que pudessem reagir, a porta bateu com força e se trancou sozinha. As luzes se apagaram, restando apenas a claridade do luar atravessando as frestas da janela.
A menina no espelho começou a sorrir. E, lentamente, estendeu a mão para fora do vidro. Júlia gritou, mas Marcos e Henrique estavam paralisados, incapazes de mover um músculo.
O espelho vibrou, como água sendo agitada, e a menina saiu dele, deixando para trás apenas escuridão no reflexo.
Na manhã seguinte, funcionários do internato encontraram o quarto 27 novamente trancado. Mas algo havia mudado. No espelho, agora, apareciam seis pessoas: Helena, os três estudantes... e mais duas figuras novas, de olhos brancos, que ninguém reconhecia.
Desde então, qualquer um que ousa abrir o quarto desaparece sem deixar vestígios — mas sempre aparece no reflexo.
E o quarto 27 continua esperando...

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